Traição amorosa: a mais perdoável das traições

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Não tem traição que detone mais o indivíduo do que a traição amorosa. Numa cultura em que casais se juntam com promessas de fidelidade absoluta é comum encontrar relacionamentos sólidos que vão por água abaixo devido a um simples deslize de uma das partes.

São poucas as pessoas que perdoam sinceramente e, no geral, a tolerância ocorre para manter uma relação desejável… embora fique uma ferida aberta. Mas por que a infidelidade amorosa é tão dolorosa e imperdoável para a maioria das pessoas? Afinal, pais, irmãos, amigos, sócios, colegas de trabalho, parentes e vizinhos podem trair também, e apesar da decepção, da dor e do choque, no geral são traições mais facilmente superadas. Quais seriam as diferenças então?

Traições não amorosas(vindas de parentes e conhecidos)

  • O traído atribui ao outro toda a responsabilidade pelo fato. Se sente como vítima e julga que o mau-caráter do outro, por si só, levou a tal situação. Muitas vezes a vítima diz até que tem pena da pessoa que traiu, porque, de alguma forma, é um ser inferior. A confiança em si não é profundamente abalada. Não carrega essa derrota, por pior que seja, como resultado de sua incompetência, mas sim pela boa fé em confiar nos demais.
  • A vítima quase sempre conta com o apoio de outras pessoas, que inclusive ajudam falar mal, xingar e debochar do traidor; exaltando a superioridade moral da vítima.
  • A pessoa não ganha títulos pejorativos – corno, chifruda, otária- ou tem características físicas ou de personalidade apontadas para justificarem a traição. Ela é respeitada.

Traições amorosas

  • Na relação amorosa o outro funciona como uma espécie de espelho que diz para seu par como ele é lindo, gostoso, inteligente, único, especial, talentoso, divertido… Então é comum a parte traída se perguntar o que está de errado com ela. Acredita que perdeu seus encantos e por isso está sendo trocada. É comum tentar saber como a rival é para fazer comparações e tentar entender quais as deficiências em si que levaram o parceiro a trair. Carrega uma certa culpa por achar que falhou em algo. Dói no ego!
  • O parceiro é objeto de prazeres físicos e preenchimento afetivo.  É difícil abrir mão de algo tão agradável!
  • Há ainda o fato de que na nossa cultura as relações amorosas são vistas como símbolo de status, competência e enquadramento social. A idéia é que se você está numa relação é porque fez uma conquista importante. É como se tivesse cumprido uma das missões atribuídas a todo ser humano sadio.
  • É atormentador para quem acha que a relação é para sempre, que existe alma gêmea e encontrou a sua, que quem ama não trai ou que somente ele pode ter liberdades dentro da união(típico dos parceiros machistas).
  • Quando há bens materiais em comum, existe a possibilidade de uma mudança radical no estilo de vida, em caso de separação. É mais angustiante ainda para quem depende financeiramente do parceiro e não pode deixá-lo imediatamente… a humilhação é dupla.
  • Há aqueles que acham que seus companheiros lhes devem alguma coisa(ajudou na carreira, propiciou uma mudança de status social, cuidou enquanto estava doente…). Ficam amargurados e raivosos.

Apesar de árduas, as relações amorosas são mais perdoáveis porque:

  • Relações, quaisquer que sejam, tem prazo de validade.
  • Quanto mais antigo um relacionamento, mais propício é o desgaste. Pessoas vão mudando com o tempo e é comum que sigam por caminhos diferentes e muitas vezes incompatíveis, o que torna compreensível que ocorra um interesse quando se cruza com alguém que é mais ajustado à pessoa no atual momento de sua vida.
  • Precisamos variar nossas roupas, o que comemos diariamente, nosso penteado, a cor do cabelo, a forma do corpo, nosso trabalho, a posição dos móveis na casa, os acessórios. Apreciamos vários estilos musicais e literários. Quando saimos de férias damos preferência a explorar lugares novos e vivemos em busca de curiosidades. Então, por que achar que esse mesmo interesse pela diversificação não se aplicaria também a atração por outras pessoas?
  • Muitas relações se tornam chatas, monótonas e fazem o parceiro(ou ambos) se perceber como um poste. Aí aparece alguém que faz a pessoa se sentir viva, animada, desejada,
  • interessante… É fácil cair em tentação diante de uma situação dessa.

 

  • Há os que gostam de seus relacionamentos, mas sentem que falta alguma coisa. Seus parceiros não preenchem todas as suas necessidades; pode faltar mais demonstração afetiva, mais sexo, mais presença, mais participação na vida social do outro, mais estímulo aos projetos do companheiro, mais comunicação, mais compromisso… Então aparece alguém que fecha essa lacuna!
  • Há parceiros que estão sempre vacilando: furando encontros, paquerando outras na frente da namorada, tratando com insensibilidade e grosseria, demonstrando desinteresse nos valores e idéias da companheira. Em situações como essas é comum que a parte ferida traia como forma de vingança e de se sentir um pouco melhor em sua autoestima.
  • Alguns traem porque estão se sentindo carentes, às vezes longe dos parceiros, e aparece alguém interessante cheio de amor para dar. Irresistível!
  • Há pessoas com libidos fortes e não resistem a uma oportunidade de desfrutar do prazer carnal.
  • Há os Maria-vai-com-as-outras… eles nem pensam em trair, mas estão no meio de uma situação no estilo liberou geral, em que todo mundo tá galinhando e ele vai no embalo, segue o rebanho.
  • Há os que traem para conseguir alguma vantagem, que pode ser financeira, um trabalho, uma indicação…

Em síntese

  • Nas traições não amorosas são mais frequentes a falta de escrúpulos, a ganância, a perversidade, a inveja, o ódio, a competição e a frieza.
  • Nas traições amorosas são mais frequentes a carência, o desejo sexual, o gosto por diversificação, necessidade de amparo, o desejo por atenção e a busca por estímulo.

Por Helô de Castro

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